Artigo

O 5G vai mudar tudo

A capacidade de conexão em altíssima velocidade vai abrir as portas para a transmissão de informações cada vez mais ricas.

O 5G ainda é um padrão em definição, composto por recomendações e protocolos ainda não consolidados em um curso de evolução que segue longe de poder ser apresentado como uma referência singular. No entanto, já é seguro dizer que o 5G vai mudar tudo o que conhecemos em serviços de comunicações, dentro e fora das empresas e residências. Na verdade, o novo padrão vai tornar o entendimento do que é dentro e do que é fora de um ambiente de rede algo dissociado dos seus limites físicos e relacionado simplesmente ao contexto lógico da comunicação.

Uma mesma infraestrutura de serviço estará pronta para dar vazão às maiores exigências tanto de usuários corporativos como privados

Nesta nova etapa, veremos empresas que abandonarão seus ambientes convencionais de rede interna, hoje sinônimos de um meio blindado por diversas camadas de segurança e regras de acesso complexas, e adotarão um modelo em que seus colaboradores terão as mesmas garantias de segurança através de soluções de SDN (Software Defined Networks) e NFV (Network Functions Virtualization) baseadas em nuvem e que serão ativadas sob demanda via qualquer conexão 5G.

A capacidade de conexão em altíssima velocidade, com potencial superior a 20Gbps, vai abrir as portas para a transmissão de informações cada vez mais ricas e orientadas tanto a negócios como ao lazer e demais interesses pessoais. A baixa latência, o tempo de resposta entre dois pontos que se comunicam, vai permitir o acompanhamento de um grande volume de dados gerados por sensores industriais, ao mesmo tempo em que vai enriquecer as experiências em jogos ou outras interações em tempo real entre pessoas, inclusive em realidade virtual.

Finalmente, uma mesma infraestrutura de serviço estará pronta para dar vazão às maiores exigências tanto de usuários corporativos como privados, através do mesmo dispositivo, permitindo sua adaptação aos requisitos de uma infinidade de aplicações. Veremos o amadurecimento dos conceitos de Multi-Persona, modos distintos de aproveitamento de uma mesma solução, e de Prosumidores, neologismo que descreve o indivíduo que participa do processo de produção dos bens e serviços que ele mesmo consome, alternando ou combinando as duas instâncias indiscriminadamente.

Com tantas justificativas para o consumo de conectividade a partir de infraestruturas públicas, veremos a consolidação definitiva dos modelos de aplicações e plataformas como serviços, baseadas em nuvem. Um efeito direto deste posicionamento será a rápida atualização dos processos de trabalho, colaboração e produtividade em ciclos cada vez mais rápidos e no mesmo passo em escala global.

Plataformas e infraestruturas como serviço, como o Microsoft Azure ou Amazon AWS, vão se estabelecer como o padrão para a contratação de capacidade computacional centralizada e ferramentas de colaboração, como o Microsoft Teams, vão se tornar o centro de convergência para o trabalho em equipes. As estruturas de comunicação corporativa, como o serviço de telefonia (sim, essa não morre tão cedo), videoconferência, contact center omnichannel, e ferramentas inteligentes de autosserviço, como bots, também estarão centralizadas e acessíveis de forma independente das premissas do cliente. Mesmo que reunidos em um mesmo ambiente, pelo aspecto técnico, todos estarão fazendo trabalho remoto.

A velocidade com o que o 5G vai alcançar seus usuários finais, por outro lado, tende a ser inversamente proporcional à performance das suas conexões. Extremamente exigente em termos da densidade de pontos de serviço, de 4 a 5 vezes a do 4G, o desafio para a proliferação da nova tecnologia é grande principalmente em áreas não urbanizadas ou de baixo potencial econômico. As concessionárias incumbentes, se deixadas livres para que definam se pretendem observar a demanda destes perfis ou não, poderão ampliar o espaço para a atuação de operadores regionais de serviço de conexão para que criem soluções próprias ou, mais provavelmente, estabeleçam parcerias locais com as grandes através de MVNOs (Mobile Virtual Network Operator - pequenas operadoras celulares que se utilizam da infraestrutura de outras).

Isso não acontecerá sem a vigilância dos reguladores e a flexibilização das regras

A ampla cobertura territorial do serviço é fundamental para aplicações como o controle da operação de veículos autônomos interconectados, monitoramento de consumo de serviços públicos, como energia elétrica e água, além da aplicação de recursos conectados na educação e no cotidiano dos cidadãos. A construção de infraestruturas híbridas de distribuição de acesso à internet em altíssima velocidade deve contribuir com o objetivo de propagar serviços avançados de forma universal, porém isso não acontecerá sem a vigilância dos reguladores e a flexibilização das regras para que pequenos e grandes provedores possam contribuir com essa tarefa.

Sobre o Autor:

Diogo Otero é Diretor de Desenvolvimento de Negócios e Parcerias da RedT

Dúvidas? Entre em contato com nossos consultores.

contato@redt.com.br
(24) 2222-6339 / (21) 4063-9796 / (11) 4063-2463